terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Ficção ou não?

Manhã de sábado no Novo México. O calor do deserto já esta infernal.

No posto de controle do Laboratório Nacional de Los Alamos o segurança confere a identidade de um funcionário.

Tudo certo Dr. Silva. Tenha um bom dia!

Dr. Silva é na realidade o brasileiro Antonio Silva, um astrofísico proeminente que graças ao seu profundo conhecimento do comportamento de Prometheus foi convidado a integrar o seleto grupo de pesquisadores de Los Alamos.

Nessa manhã Dr. Silva não tem seus pensamentos voltados para Prometheus. Queria dirimir de uma vez por todas uma dúvida que o atormentava desde que começou a ler jornais na distante cidade de Santo Antonio do Ó de Dentro.

Cruzando o complexo de Los Alamos nem se lembra que o laboratório foi fundado durante a 2ª Guerra Mundial como um centro secreto de coordenação das pesquisas científicas do Projeto Manhattan, o projeto das forças aliadas para o desenvolvimento das primeiras armas nucleares. Cientistas do porte de Robert Oppenheimer ali viveram e trabalharam.

Mas para o Dr. Silva nada disso importa no momento. Ele dirige seu carro para o Bloco 12 onde se localiza o Centro de Computação Avançada. Nesse prédio está o Super Computador IBM Roadrunner. Um supercomputador considerado o mais poderoso entre os 500 mais poderosos do mundo. É o único com capacidade de 1,105 petaflops. (N.R.: Um petaflop representa um quatrilhão de operações de ponto flutuante por segundo).

Na entrada do Bloco 12 o segurança acompanha o Dr. Silva inserindo seu crachá na porta blindada do complexo. A porta destrava com um ruído metálico.
Dr. Silva cruza o longo corredor até a sala do Roadrunner. Um local altamente restrito onde poucas pessoas tem acesso. O Dr. Silva era uma dessas pessoas. Um identificador por mapeamento de íris liberou o acesso.

Dentro da sala Dr. Silva caminhou direto para um terminal de trabalho do Roadrunner sem se importar com as instalações fantásticas do super computador.

Nesse momento ele sentiu que estava tremendo. O momento pelo qual tanto esperou havia chegado. Respirou fundo e ativou o módulo de pesquisa.

Com as mãos ainda tremulas digitou:

“Existe alguma pessoa honesta no Congresso Nacional Brasileiro?”

Durante 30 minutos somente o zumbido do supercomputador processando no limite máximo da sua capacidade podia ser ouvido na sala.

Dr. Silva percebeu que o Roadrunner estava se conectando com outros super computadores ao redor do mundo. Duas horas depois da pergunta o Roadrunner havia formatado um mega cluster com os 500 super computadores ao redor do mundo.

Quarenta e oito horas depois da pergunta finalmente o Roadrunner respondeu:

“Honesta não encontrei. Se servir tem uma tal de Ernesta que é faxineira terceirizada no prédio do Congresso Nacional. Fim da pesquisa.”

2 comentários:

Majju disse...

Adorei!!!!

Alzira disse...

Será a Ernesta a mulher do Arnesto ?
... "O Arnesto nos convidô prum samba, ele mora no Brás Nós fumo e não encontremos ninguém. Nóis vortemo cuma baita de uma reiva. Da outra veiz nóis num vai mais ..."